Montar uma reserva de emergência estando endividado é uma das dúvidas mais comuns de quem está tentando organizar a vida financeira.
Afinal, faz mais sentido guardar dinheiro ou usar tudo para pagar as dívidas?
A resposta pode parecer surpreendente: na maioria dos casos, você deve fazer as duas coisas ao mesmo tempo, mas da forma correta.
Neste artigo, você vai entender por que criar uma pequena reserva pode impedir que sua situação financeira fique ainda pior.
Montar uma reserva de emergência estando endividado, vale a pena ?
Se olharmos apenas para a matemática, a resposta seria fácil.
Como os juros das dívidas costumam ser maiores do que o rendimento de qualquer investimento conservador, seria melhor quitar todas as dívidas primeiro.
Mas a vida real não funciona apenas com matemática.
Imprevistos acontecem quando menos esperamos.
O problema de ficar com a conta zerada

Imagine que você use todo o dinheiro disponível para pagar uma dívida.
Agora sua conta ficou praticamente zerada.
Na semana seguinte, seu carro quebra, o gás acaba ou surge uma despesa médica inesperada.
Sem nenhuma reserva, qual será a solução?
Na maioria das vezes, a pessoa acaba recorrendo novamente ao cartão de crédito, ao cheque especial ou a um empréstimo.
Ou seja, ela sai de uma dívida para entrar em outra.
O efeito “sanfona” das dívidas

Esse comportamento cria um ciclo muito comum.
A pessoa paga uma dívida.
Surge uma emergência.
Ela faz uma nova dívida.
Depois tenta pagar novamente.
E o processo se repete.
É como uma sanfona que abre e fecha o tempo todo.
Enquanto esse ciclo continuar, fica muito difícil organizar a vida financeira.
A reserva funciona como uma proteção

Se você está endividado, sua primeira meta não precisa ser construir uma reserva enorme.
O objetivo é criar uma reserva de sobrevivência.
Ela serve para evitar que qualquer imprevisto obrigue você a fazer novas dívidas.
Pense nela como um escudo que protege seu orçamento enquanto você organiza o restante das finanças.
Quanto guardar nessa situação?
Quem não possui dívidas normalmente busca uma reserva equivalente a vários meses do custo de vida.
Já quem está endividado pode começar muito menor.
Uma boa meta inicial é juntar cerca de R$ 1.000 ou o equivalente a um mês das despesas essenciais.
Depois que essa pequena reserva estiver formada, fica muito mais seguro concentrar os esforços para quitar as dívidas.
Um plano simples para sair dessa situação

- Passo 1: Pare de aumentar a dívida.
Evite usar o cartão de crédito, o cheque especial ou qualquer outro crédito caro para despesas do dia a dia. - Passo 2: Monte sua pequena reserva de sobrevivência.
Junte a meta inicial de R$ 1.000 ou o equivalente a um mês das despesas essenciais antes de concentrar todos os esforços no pagamento das dívidas. - Passo 3: Negocie e quite as dívidas.
Com a reserva pronta, direcione o dinheiro disponível para negociar e eliminar as dívidas, começando pelas que possuem os juros mais altos.
Essa sequência reduz muito o risco de voltar ao ponto de partida caso aconteça algum imprevisto.
Por que isso é tão importante no Brasil?
As taxas de juros do cartão de crédito rotativo e do cheque especial continuam entre as mais altas do mercado brasileiro.
Entrar novamente nesse tipo de crédito por causa de um imprevisto pode fazer a dívida crescer rapidamente.
Por isso, mesmo uma reserva pequena pode evitar um prejuízo muito maior no futuro.
E se eu estiver com o nome negativado?
Ter o nome negativado não impede você de criar uma reserva de emergência.
Na verdade, ela pode ser ainda mais importante.
Quando você possui um pequeno valor guardado, ganha mais tranquilidade para negociar suas dívidas sem depender de novos empréstimos sempre que surgir um problema inesperado.
Conclusão
Se você está endividado, não precisa escolher entre guardar dinheiro ou pagar suas dívidas.
O caminho mais seguro costuma ser construir primeiro uma pequena reserva de sobrevivência e, depois, concentrar seus esforços para eliminar as dívidas.
Essa estratégia ajuda a interromper o ciclo de novos empréstimos e traz mais estabilidade para reorganizar sua vida financeira.
Agora que você já sabe por que montar uma reserva de emergência estando endividado, surge outra dúvida muito comum: e se o banco onde esse dinheiro está guardado quebrar?
No próximo artigo vamos responder essa pergunta em “O que acontece se o banco digital falir? O seu dinheiro está seguro?”.
1 comentário em “Devo montar uma reserva de emergência estando endividado?”